ALBUM REVIEW: Amuro Namie – FEEL

NAMIE

Sim, FEEL foi lançado semestre passado e não faz muito sentido fazer um review dele agora. Mas como esse fim de semana está totalmente sem pauta e até agora 2014 não nos rendeu nada além de EPs (o que com sorte mudará semana que vem com Crush), aí vai uma review gratuita do que pra mim foi o melhor álbum de j-pop de 2013 (malzaew, Level3). É absurdo que FEEL tenha passado batido por muita gente só porque ninguém mais tem paciência pra j-divas. Mas acredite: Esse álbum merece sua atenção.

No Japão, muitos atos estão satisfeitos em anualmente reciclar a mesma merda sem variar em nada seu som e sem qualquer tipo de evolução (olá, Kumi e Ayu). Mas não Namie. Ela é um caso raro no j-pop. Essa mulher começou vinte anos atrás fazendo covers de Eurotrash, se transformou na típica japonesa diva-das-baladas do fim dos anos 90 com um pancadão aqui e ali, logo em seguida largando tudo pra virar urban conceitual e a rainha do hip-pop. Depois, Namie apostou no R&B e ceifou a carreira de toda e qualquer alma na cena do j-pop com Past > Future, só pra dar um 180º completo em sua carreira e voltar a apostar no pop com Uncontrolled, já em 2012. E isso nos leva até Feel.

Feel parece uma versão mais refinada de Uncontrollable, no sentido de que Namie segue o mesmo rumo já apontado naquele álbum e vai mais fundo ainda. Se em Uncontrollable metade das músicas apresentavam engrish, em Feel praticamente todas estão em inglês. E se em Uncontrollable o namiengrish era tenebroso, em Feel ele está infinitamente superior. Isso não significa que ele esteja perfeito, claro. Pra cada “stratosphere” que ela pronuncia corretamente, temos um “fry me awaaaaaay” ao invés de “fly” ou um “rébân” ao invés de “heaven”. Mas ao menos pra mim, isso faz parte do charme de Feel. Isso e a produção, que conseguiu fazer com que nenhuma das 12 faixas pareçam iguais.

Entre os destaques, temos o tom sombrio e eufórico de Alive (que parece saída diretamente do top40 sueco) e a dose incontrolável de petulância e atrevimento de Big Boys Cry. Outras ótimas são Heaven (que lembra o estilo de produção de quando Dr. Luke acerta, mas que na verdade é assinada pelo Zedd) e a incrível Supernatural Love, em que Namie faz k-pop e grita com gosto. Precisam ser mencionadas também Poison, que parece algo que RedOne deveria ter produzido pra Lady Gaga no álbum de debut dela e La La La, que tem aquele estilo caribenho que hoje faz falta em Rihanna. Ainda temos Contrail e Stardust In My Eyes, midtempos que não decepcionam e são o final perfeito para o álbum. Além dessas, temos também  o electro olodum que é Hands On Me, de longe a melhor do CD:

 

Como vocês podem ver, eu listei basicamente o álbum inteiro entre os destaques. As duas únicas músicas esquecíveis de FEEL são Rainbow e Can You Feel This Love. Essas duas não são ruins, mas são o mais próximo de filler que esse álbum chega (sem contar que Rainbow contém dubstep, quer dizer). Por isso é meio frustrante que elas sejam as faixas 2 e 3, logo depois de Alive ser a intro perfeita para o álbum: Rainbow e CYFTL simplesmente não combinam com o clima que Alive acabou de criar, Heaven ou Poison seriam follow-ups muito melhores enquanto essas duas seriam melhor aproveitadas no meio do álbum.

Tirando a tracklist pouco funcional, o único outro problema de FEEL é Let Me Let You Go, a obrigatória balada-com-piano. Não me entendam errado, eu curto bastante Namie fazendo balada (mesmo com a voz relativamente limitada dela), mas o namiengrish está longe de funcionar a ponto de uma balada em inglês estar aceitável. E acho que até ela notou isso, visto que a Tsuki que ela lançou recentemente foi cantada em japonês e funciona muito melhor do que Let Me Let You Go.

No entanto, uma balada ruim e uma tracklist capenga são muito pouco pra tirar o brilho desse álbum. O time de Namie pegou o EDM, o dubstep, o house, o dance e tudo o mais que está em alta no momento no ocidente e soube fazê-los funcionar no contexto de um álbum sem que tudo pareça uma mera cópia de qualquer coisa que esteja saturando o top40 americano. FEEL é um álbum muito bem produzido e que traz Namie extremamente confiante em praticamente todas as faixas (lembrem-se que ela não está cantando em sua língua nativa). É o tipo de coisa que te deixa empolgado e indagando pra onde raios essa mulher levará sua carreira a seguir. Depois de FEEL, mal posso esperar pra ouvir o que quer que a titia quarentona Namie esteja planejando pro seu próximo álbum. Porque se for tão bom quanto FEEL foi, nem vou mais chorar as pitangas pela aposentadoria de Utada Hikaru.

DESTAQUES: Alive, Hands On Me, Contrail, La La La, Stardust In My Eyes, Supernatural Love.

MEIA BOCA: Let Me Let You Go.

13 comentários em “ALBUM REVIEW: Amuro Namie – FEEL

    1. Qualquer pessoas com OUVIDOS FUNCIONAIS e que tenha ouvido os dois álbuns irá te dizer que Feel é muito melhor que Mr Mr. Mentira. Até surdos iriam te dizer isso. @_@ O Sone totalmente butthurt \o/

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