ALBUM REVIEW: Epik High – Shoebox

Epik High finalmente está de volta após dois anos de hiato com um novo álbum. E enquanto 99 foi um ótimo album, ele se desviou do clima deprê pra caralho que é a marca registrada deles. Será Epik High capaz de voltar a suas raízes mesmo estando dentro da YG? Ou agora eles são tudo vendidos??? Essas e outras dúvidas estão sanadas aqui.

Shoebox foi lançado tem quase duas semanas, então eu estou bem atrasado nessa review, eu sei, eu sei. Mas no caso, eu queria esperar pra dar uma nota ao álbum, pra não ser influenciado pela euforia inicial do lançamento. Afinal, vê-los comemorando o tudo-mata foi bem legal, então dar uma nota altíssima seria o esperado. Mas ao mesmo tempo em que eu gostei bastante do álbum, eu também o achei underwhelming de certa maneira. Mas mais sobre isso depois. Vamos a uma track-by-track review, taí playlist pra quem não ouviu o álbum:

http://soundcloud.com/qweasd1234522/sets/epik-high-8th-album-shoebox

 

ENCORE é uma intro ótima com violinos que de repente dão lugar a um soul motown com o verso “Eu não tinha percebido que o show havia acabado” sendo repetido em loop, até que entramos no rap de Tablo, cheio de momentos inspirados tipo “passei uma temporada no inferno e só peguei um bronzeado”, mas a mensagem é clara: os haters achavam que eles estavam acabados, mas isso só serviu de inspiração para o grupo, já que eles “nem haviam percebido que o show havia acabado”. Muito bom e Kanyesco. @_@

HAPPEN ENDING é um híbrido de balada e hip hop em que os raps deles se misturam com a voz de uma gata aí de algo chamado Roller Coaster para falar de ainda mais um relacionamento que se acaba. A letra basicamente fala da dificuldade envolta em construir um relacionamento e a facilidade com que ele pode acabar. “Eu realmente estou apaixonado? Ou só estou namorando alguém para poder terminar novamente?”, uma pergunta extremamente válida que se repete por todo o refrão.

RICH narra o desejo de se alcançar um sentimento de realização pessoal, ter uma vida fácil e sem preocupações, algo que seria alcançado caso eles fossem ricos (não necessariamente com dinheiro, já que “eu gostaria de ser rico de sentimentos, mas eu não consigo e por isso abro minha carteira e gasto meus sentimentos”). Muito saxofone, muito disco e Tae Yang entregando melismas a torto e a direito enquanto eles criticam consumismo ao mesmo tempo em que queriam ter grana o suficiente pra se inserirem nesse consumismo desenfreado (tipo eu, basicamente  ). É uma faixa mais pop e daria um ótimo single. Uma oportunidade perdida, honestamente.

 

SPOILER faz uma analogia inteligente entre o olhar e as atitudes frias da mina do eu-lírico garantirem que seu relacionamento está para acabar, sendo os “spoilers do fim”. É uma faixa bonita e eu consigo entender por que no MV parearam ela com Happen Ending, já que as duas temáticas se complementam, mas dito isso Spoiler não é single material não, sendo de longe a mais fraquinha de Shoebox até aqui.

BURJ KHALIFA é um trapzão safado e rap 101, com Tablo e Mithra Jin recebendo vários manos para que todos possam medir o tamanho de seus pintos pra ver quem é the baddest, comparando feitos realizados e vendo quem arremessa os melhores deboches, tipo “quando eu dou luz a uma música, sou um pai amoroso, como os pais de Lennon, Kennedy e Coltrane” ou “Isso é Epik High, numa música que fizemos quando estávamos high (chapadíssimos)”. É uma boa mudança de ritmo, já que as coisas desaceleram mais uma vez na faixa seguinte.

WE FIGHT OURSELVES narra um casal exausto de tanto brigar, com momentos inspirados e a participação de Younha como o interesse romântico da vez. É mais uma faixa boa, mas a sonoridade dela não difere muito de Happen Ending e Spoiler, algo que fica ainda mais evidente pela temática similar. Já AMOR FATI traz Epik High entregando seu melhor Eminem, num rap gritado e ~sofrido~ complementado pelo cara do NELL, que eu honestamente acho que poderia ter sido aproveitado numa faixa mais legalzinha, já que essa aqui tá bem esquecível e é de longe a maior filler do álbum.

 

Após uma passada rápida no território das fillers, temos BORN HATER, o lead single e grande destaque desse álbum, com uma miríade de rappers coreanos mandando seus BEIJINHOS NO OMBRO individuais para seus haters. O clipe filmado verticalmente a princípio me incomodou, mas depois de ler a análise desse mano com TOC, eu me convenci de que isso foi genial etc etc. Se você foi alfabetizado em inglês feito a Sasha, vale a pena dar uma olhada, mesmo tendo sido postado no tudocapope. @_@ A letra também é essencial para absorver todo o deboche desse negócio, então eu recomendaria vocês acompanharem a tradução aqui também (mais uma vez, em inglês. Se você não pagou sua FISK, problema seu).

LESSON5 representa a “quinta lição” que Epik High tem a dividir conosco pobres mortais, e a primeira desde 2009. No caso, dessa vez eles tratam de diferentes pontos de vista (“o nacionalismo de um homem é o terrorismo de outro” / “o poema de um é obsceno para outro”), nada muito fora do lugar comum, mas a faixa tem um bom flow e não derruba o nível após BORNzão HATER gostosa. @_@

LIFE IS GOOD traz Jay Park tentando ser Michael Jackson circa Jackson 5 ainda mais uma vez, só que dessa vez sendo o feat na música de outra pessoa. Fica bem evidente que criaram toda a faixa em volta de Jay, e eu honestamente não vejo um problema nisso. Life is Good é boazinha, curta e, bem, esquecível. Mas tá valendo.

 

O cover/feat que Tablo fez de EYES NOSE LIPS ganha a chance de virar album track e eu não poderia ficar mais satisfeito, já que Tablo refez a faixa do zero (diferentemente do cover bem basicão de AKMU que não agregou nada à música). TaeYang aparecendo no final para cantar o refrão de sua própria faixa é um belo toque.

O álbum fecha com SHOEBOX, uma das únicas faixas que não são funk ostentação ou que não falam de fim de relacionamento. No caso, Shoebox fala sobre chegar cansado em casa, guardar seus sapatos na caixa ao lado da porta (é Ásia, no fim das contas) e finalmente se reunir à sua família, porque você está em casa. É um final apropriado para o álbum como um todo, que começou forte e terminou forte, o que definitivamente deixa uma boa impressão.

 Tablo, Mithra Jin e DJ Tukutz sabem construir uma narrativa como poucos. Todas as faixas sobre amor parecem se tratar de picotes da história de um único relacionamento, espalhadas pelo álbum para que você ouvinte as coloque em ordem numa timeline. É algo realmente inteligente, não há dúvidas disso. O único problema é que a sonoridade de todas essas faixas deprê e introspectivas são extremamente similares (podem jogar todas elas na sua playlist “dia chuvoso na coffe house”), o que poderia facilmente resultar em monotonia. Isso foi espertamente evitado pelo fato dessas faixas estarem intercaladas por faixas mais pop (RICH/LIFE IS GOOD) ou mais debochadas (BURJ KHALIFA/BORN HATER).

No geral, Shoebox é um álbum extremamente sólido, mas ao menos pra mim ficou faltando uma faixa realmente triunfante e que seja um soco sonoro na sua fuça, mais ou menos como UP foi em 99, por exemplo. O álbum é ótimo, mas pra mim ficou faltando outro ponto alto feito BORN HATER aí no meio, o que fez o resultado final parecer um pouco underwhelming. E é esse o problema de se criar expectativas pra alguma coisa, certo?

DESTAQUES: Encore, Happen Ending, Rich, Born Hater e Shoebox.

MEIA BOCA: Amor Fati poderia ser bem melhor, esperava mais do feat, honestamente.

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10 comentários em “ALBUM REVIEW: Epik High – Shoebox

  1. Gostei demais desse álbum. Bom mesmo. BORN HATER>>>
    Mas como tu mesmo disse, eu tbm senti falta de um UP ou DON’T HATE ME no álbum.

    Já viu o que vai rolar a batalha de 5 GRUPOS FEMININOS em novembro?
    Apink x AOA x Hello Venus x Jmin e Mint (Tiny-G subunit) x Lovelyz

    Só quero ver como vai ser essa bagaça ❤

  2. We Fight Ourselves é a melhor pra ouvir nos dias chuvosos no starbucks. E cê tem razão, Rich seria uma óóótima faixa pro single. YG pecando na escolha de musicas que nem em CRUSH. Oh, você curte UP realmente? A maioria do povo detesta por causa da voz da Bom lá, que, for me, tá maravilinda.

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