ALBUM REVIEW: Koda Kumi – Bon Voyage

Sim, esse álbum foi lançado em fevereiro e não existe o menor sentido em postar uma review dele agora. Masss, com o fim do ano chegando, já estou em clima de retrospectivas e tenho a intenção de todo domingo postar reviews de destaques (positivos ou negativos) de 2014 enquanto eu não começo meu top50/69/100 do ano (ainda não me decidi no número). Aceito sugestões de álbum, btw. Mas, pra começar, queria me focar no potencial desperdiçado de Kodão, que esse ano conseguiu um importante feito: se tornou a n°2 da avex com a derrocada final de ayu e sua carreira. ❤

Antes de qualquer coisa, eu preciso dizer que Koda Kumi é uma pessoa ridícula, e que não tem a menor ideia de como gerenciar sua carreira. Pra vocês terem ideia, Bon Voyage foi o último álbum de estúdio dela, mas desde então ela já lançou um álbum de remixes, uma coletânea ridiculamente nomeada “Happy Love Song Collection“, um álbum ao vivo, um EP promocional pra Pachinko, um maxi single e, finalmente, um digital single semana passada. Tudo isso em oito meses.

E essa falta de direcionamento, esse espírito de “vamos atirar pra todos os lados, porque vai que cola” também está presente por todo esse álbum, que encapsula os três lados de Kumi (Kumiko rampeira, Kumiko do poperoque, Kumiko das baladas) e tenta fazer eles funcionarem dentro de um tema naval que acaba não sendo bem explorado o suficiente. Mas isso ficará mais claro na review track-by-track de Bon Voyage. Playlist pra vocês:

https://soundcloud.com/ashmeista143/sets/koda-kumi-bon-voyage

Como vocês sabem, Kumi só não ama mais enfiar intros e interlúdios em seus releases do que piranhar no palco. E isso é dizer muita coisaIntroduction to ~Bon Voyage~ abre o álbum com uma combinação de sons litorâneos com um dance hip hop-esco característico de Koda. Como toda boa intro deve ser, essa aqui te deixa com a impressão de que deveria ter sido esticada e transformada numa faixa propriamente dita, pois te deixa querendo mais.

A transição entre a intro e a próxima faixa é bem sutil, o que só fortalece Mostre-me Sua Rola, um summer jam maravilhoso e destaque absoluto do álbum, combinando as trombetas do tema naval com o sass de Kumi pra criar algo diferente do resto da discografia dela, mas que soa distintamente como Koda ao mesmo tempo. Uma pena mais faixas não soarem como essa, porque essa coisa Back To Basics da Xtina funcionaria como uma luva pra ela.

Mais criatividade foi usada pra tapar a xiromba de Kumiko com um leme nessa capa do que em todo o conteúdo do álbum, I kid you not.

A faixa número 3 é LOADED (feat. alguém), que parece algo que foi oferecido para FLO RIDA gravar com Ke$ha em 2010 (com participação não creditada de Keri Hilson), mas que foi deixada de lado pela agenda dos dois (não a de Keri Hilson, claro) estar muito cheia e eles não conseguirem conciliar uma data pra gravação. Daí a música rodou por quatro anos e foi comprada pela avex. Namie não quis a demo e aí ela caiu no colo de Kodão, que viu em Loaded sua oportunidade de parecer hip, modern e western. E com tudo isso eu quero dizer que Loaded é divertida, mas datada pra caralho. Apesar que melhor uma música boa e datada do que umas bombas de verdade que rolam mais pra frente no cd, galera. :v

A intro de Winner Girls parece se enquadrar no estilo anos 50 que o álbum tá pretendendo encapsular, mas logo descamba pra um som mais eletrônico e pop. Não é ruim, mas é definitivamente genérica. Logo após ela temos duas baladas back to back e que são kumi 101, Imagine e Koishikute. Como é o caso com a maioria das baladas de Kumi, elas são pouco inspiradas e existem apenas para Kumiko jogar um shade em Namie e Ayu, mostrando pra elas que seu alcance vocal é maior que o delas.

LALALALALALALA é o segundo single véio que encontramos no álbum, e é o típico ~pseudo poprock~ Avril Lavigne que Kumi sempre enfia em seus álbuns. Não é ruim por si só, é até divertida… mas soa muito deslocada dentro de Bon Voyage. Mas mais uma vez, é datada de certa maneira e não adiciona nada a discografia da gata.

Duas baladas seguidas de um poperoque. Qual a melhor maneira de seguir isso? Claro que com dois interlúdios seguidos. *O* são eles Let’s Show Tonight e o redundantemente intitulado Interlude to ~Bon Voyage~. O primeiro tenta esticar o tema naval pra dar consistência ao álbum, e é maravilhoso, com um clima burlesco que merecia ser uma faixa por completo. O segundo também é bom, mas ter dois interlúdios back to back não faz o menor sentido, mesmo que eles sejam sólidos. WTF, Kumi.

Já estamos na décima faixa, e o que começou com um álbum relativamente coeso já se perdeu numa tracklist horrível. As coisas ficam ainda mais bizarras quando a Kumi rampeira aparece, e aí qualquer pretensão de coerência vai pela janela. Algumas faixas individualmente funcionam, entretanto. TOUCHDOWN traz Kumizão sendo extremamente ratchet e gostosíssima, e o clipe (que custou cem ienes) deixa tudo ainda melhor, trazendo Kumi se roçando nuns negões, twerking em cima de uma pantera gigante etc. É um dos destaques.

Crank Tha Bass é mais Kumi urban e ratchet, só que a coisa não funciona de maneira alguma. Rola um rap, uma doida gritando num momento inesperado e Kumi brincando com seus vocais, tudo por cima de uma track meio hip hop e ao mesmo tempo meio industrial (!!!). Simplesmente não colou. LOL é ainda mais Kumi ratchet, só que o vocal insolente dela dando risada ficou uma merda (medo dos “HAHAHAHAHA RAFIN AU RAU” dela). Estou pasmo até hoje que isso ganhou clipe, porque é Koda jogando seu orçamento no lixo. Go To The Top é um single tão velho que fica difícil levá-lo a sério aí no meio (isso tem break de dubstep, pelo amor de deus). É esquecivel além da conta.

As coisas melhoram infinitamente após três faixas que variaram entre medíocres e horrorosas com Dreaming Now!, uma das delícias mais ridículas de 2013 e que consegue samplear kuduro ao mesmo tempo em que Kumi dança numa festa junina. É tanta coisa tosca reunida numa mesma faixa que o resultado final acaba sendo maravilhoso e uplifting. ❤

Após catorze.fucking.faixas já deu desse álbum, mas Kodão tem ainda mais duas faixas pra jogar na nossa direção. A primeira é On Your Side, uma midtempozinha bonitinha e inofensiva, que tem cara de fim de álbum mesmo. Não é um destaque nem fodendo, mas também não ofende… logo, filler. U KNOW é uma finale apropriada, um electropop com ótima melodia e um refrão inspiradíssimo e cheio de engrish (I’m gonna dance dance dance like a supahstahs, ‘coz you know who I ááám). É Kumi em seu melhor, uma pena que pra chegar até aqui você tem que enfrentar muita bosta.

Bon Voyage é um álbum problemático por vários motivos. Um deles é a escolha de um tema tão específico quanto o naval pra se utilizar no lead single e nas capas. Quando você resolve dar ao seu álbum títulos feito LOUD, FEEL ou BEYONCÉ, você pode fazer a merda que quiser com eles, porque esses títulos são vagos o suficiente pra abarcarem sonoridades bem diferentes sem maiores problemas. Mas quando você decide trabalhar com algo tão específico e que necessariamente requer um throwback pros anos 50, aí a coisa desanda.

Mas a temática naval desaparecer na faixa 8 (quando ela poderia muito bem ser explorada melhor, já que Kumi tem a voz necessária pra isso) não é o principal problema, mas sim a tracklist DE BOSTA. Temos duas baladas logo no começo do álbum, seguidas de um pop rock perdido pra logo depois termos DOIS INTERLÚDIOS (wtf?), seguidos de Kumi sendo urban por quatro faixas seguidas. Bon Voyage é totalmente inconsistente e longo demais (dezesseis faixas? plz), e precisaria de uma repaginada completa pra funcionar como álbum. Uma pena, porque eu de fato tinha expectativas pra isso na época do lançamento, só pra tomar no cu com Kumi lançando algo cheio de altos e baixos como sempre.

DESTAQUES: Show Me Your Holla, Let’s Show Tonight, Touch Down, Dreaming Now! e U Know.

MEIA BOCA: Crank Tha Bass, LOL, Go To The Top e as duas baladas seguidas.

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25 comentários em “ALBUM REVIEW: Koda Kumi – Bon Voyage

  1. Desde já esperado review de todos os mini albuns do Dia das garotas :v

    Ah, tb to esperando um post cheio de deboche sobre o ❤ Hiatus da Kyary por causa do Fukase e o anuncio oficial de que ela além de ser alcoólatra ela também é fumante ❤

  2. Mal começaram as retrospectivas e já estou no aguardo dos icônicos COURES e QUEM ESTÁ DE VOLTA? serem desossados por aqui ❤

    Concordo com relação a coesidade do Bon Voyage, separadamente muitas musicas aí são bem aproveitáveis, agora junta tudo parece material de uns 5 albuns em 5 anos diferentes que não foram lançados por Kodão. Agora essa LALALALALALALALAetc. me incomoda pq é a faixa de pop/rock sucessora daquela maravilha de No Man's Land que deve ter sido a coisa japa que mais dei repeat em 2012. Triste por isso

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